“Estupra, mas não mata.”

O Maluf só não é Hitler porque é mais esperto. Porque o grau de desumanidade dessa frase não só choca como irrita, pelo contexto no qual foi dita. E nós. Nós só não somos monstros porque ninguém é tonto de assumir nada. E porque a gente já sabe o resultado do radicalismo festivo. Gerações passam e ninguém consegue tirar essa mancha de sangue da Alemanha. Até hoje se ouve comentários, entre velhos e poucos viajados, que os alemães não são boa gente. (Isso incluindo a Espanha, um país que tratou de explusar todos os judeus do país no final do século XV, mas enfim.)
Os alemães definitivamente mexeram com o povo errado. E do jeito errado. O tiro não podería ter saído mais pela culatra. Hollywood que o diga.

E hoje? Gueto não é gueto porque não está cercado?
E nós? Não somos monstros porque não matamos?
E eles? Os novos “judeus”? Não são eternamente coitados porque não são ricos?
Hoje o ódio evoluiu.
O racismo é pior. O ódio é maior. O gueto é global.
E ninguém se mete a besta pra tirar onda de Hitler.

Se não tem Auschwitz, não tem drama. Se nao tem Hitler, não tem racismo. Não é história. “Estupra mas não mata”, o marketing do ódio. Pra dar resultado a longo prazo, não seja polêmico: seja politico. Deixe que o radicalismo se queime sozinho, dê nome à categoria, que sejam jogados na fogueira e salvem a todos nós. Skinheads, neo-nazistas, ultra-coxinhas. Que cuspam em gays, batam nas mulheres e matem os pobres. Graças a Deus existe o mal, para livrar-nos dele.

Preto, latino, asiático, polonês, iraquiano, romeno.
Em 1933, os alemães usavam cartazes de boicote na frente das lojas judias.
Em 2009, a televisão diz que chinês esconde mercadoria no lixo pra depois vender. E que brinquedos Made in China podem ser mais baratos, mas vão envenenar seu filho.
O mercado de trabalho não aceita romenos porque têm fama de ladrões. Além de dar azar.
Os latinos são feios, preguiçosos e burros. Servem pra fazer…trabalho de preto.
Não?

Mas se não tem conflito, não tem problema. Se não tem ninguém lá na frente, encarnando o ódio e a guerra em pessoa, não deve ser tão grave assim. E Hitler ainda tinha o interesse financeiro por trás de toda aquela perseguição. Hoje o boicote é gratuito, o ódio é cru. O preconceito não tem nenhum motivo por trás senão o desprezo, a raiva, o ódio pela diferença.

As gerações passam e ninguém aprendeu a tirar essa swastica do peito.
Bando de gente burra.

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