Grande Premio VIVO do Cinema Brasileiro.

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vivo2vivo3vivo1Wed, Apr 15, 2009 at 5:42 PM
Assunto: maria maria…
ontem fui ao premio vivo de cinema. bem… eu não devia falar mas vou falar: meninas e meninos do rio: vistam-se!

me vesti de gala, assim como sugeria o convite que ninguém leu. só eu e mais nove na multidão estávamos como mandava o figurino, nadando contra a corrente só pra exercitar.

na porta rola um certo constrangimento ao ver umas calças jeans sobre o tapete vermelho, mas vamos em frente rio de janeiro. uma fila de fotógrafos metralham flashs na minha amiga que é atriz. ela responde umas perguntas e eu espero no saguão.

eu estava alí porque a doisélles emprestou umas roupas para as moças que entregariam os premios. e cansada de aparecer como uma dentista banguela, caprichei na beca.

mas que preguiça. depois de dar o melhor de mim eu nao sabia se estava sendo olhada porque eu estava muito bonita ou muito desavisada da ordem de que o pessoal do cinema é assim, moderninho. e moderninho faz cinema de all star. dããã.só que estávamos numa festa, um oscar tupiniquim, mas com trofeu e transmissão ao vivo. era uma badalação, que, pelo menos como dizia o convite, era uma badalação black tie.

e que horror… parecia que todo mundo alí tinha perdido o protocolo lá na encarnação passada do rio, quando ele ainda era capital do império e as pessoas levam esse tipo de besteira a sério, com fraque, cartola e anéis nos dedos.

perder o protocolo as vezes nem é de todo ruim, já que o exercício de liberdade tem que fazer parte do elemento moda, mas não é disso que estou falando, ou tentando falar sem parecer rabugenta.

graças a deus o cinema brasileiro é feito de despretenção e camiseta hering preta, mas na noite do premio não pode esculhambar desse jeito porque fica feio, porque não combina, porque pão com durex não tem liga.

tentar parecer despretensioso em cima do red carpet, território mais fértil da vaidade, na disputa óbvia de quem fez melhor, vamos combinar que é forçar muito a barra.

eu vi calça jeans lavada na água sanitária, eu vi botões abertos onde só poderia caber um nó de gravata muito do bem dado. eu vi pior, eu vi o nó de gravata muito do mal dado com jaqueta de couro. meu santo antonio, eu vi calça cargo, gorro de lã e blusa de moletom.

e as meninas! as meninas estavam de saída de praia. sabe? aquele algodão branco com lastex no busto? fora os milhares de vestidinhos de malha vaporosos das modinhas do balneário de ipanema. quer mais? a cereja do bolo? vi uma menina de havaianas nos pés.

Thu, Apr 16, 2009 at 12:16 PM
assunto: RV:maria maria…
Sobre nossa brown carpet…Freud explica. Dos pés a cabeça
O ar blasé é uma falta de auto-estima que grita.
Nosso complexo de inferioridade é tão grande que a gente poe essa cara de “too cool for school” e vai pra gala de calça jeans. Porque xuxu, vestir-se mal não é coisa de pobre, é coisa de JACU, vamos deixar bem claro. Todo mundo sabe que fugurino de red carpet nunca sai do próprio armário, é pra isso estão os showrooms. É 100% roupa emprestada, destinada justamente pra photocall. É uma excelente estratégia que ajuda a mover mil e um mercados.

Eu fico louca de ouvir essas coisas. Porque está claro que o carão é o mesmo, de All Star no pé ou não. Todo mundo vai lá pra fazer pose. E que que tem?? Deixa de ser tonto e vai lá fazer seu trabalho! Mas não. Aí fica nesse carão com vergonha, que pra não dar na vista vira carão blasé. Que sono, meu santo antonio (rs!), que sono.

E sinceramente sem comentários do figurino feminino. Falta de classe. Falta de originalidade, jacu, jacu sem tamanho. Havaianas…

Resumo da ópera: a gente se acha um lixo. Quando o Oscar significava alguma coisa, a gente tinha o Troféu Imprensa. Cafona que doía. Porque o Silvio Santos não tem medo de imitar, ele não é hipócrita. Mas era coisa de povão. Os outros prêmios eram muito do reservados e sem essa coisa de ibope e red carpet, porque audiência é coisa de povão. Gala é coisa de pobre, é coisa desses vizinhos latinos que fedem breguice. Acabamos por cair no outro extremo, tanto era o medo de ser cafona. Não nos vestimos bem pra ir a lugar nenhum. Temos medo de “exagerar”, de parecer um “deslumbrado”. Porque la no âmago da nossa alma colonizada e complexada, chique é fingir que o luxo é trivial. E que “festinhas” como essas tem todo mês.

Que preguiça, poeta. Mas fico feliz que vc tenha ido arrumada e autêntica, sem medo.
Vou procurar mais fotos em algum site.
beijo!!

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