Roberto, we missed the party!

15 horas em ponto foi quando eu cheguei na frente da principal loja da H&M de Madrid, na Gran Vía. Estava esperando o dia inteiro (mentira, o mês inteiro) só pra ver a coleção. Não pude chegar antes. Na porta, movimento normal. Onde estão as pessoas, onde está a gritaria que eu tinha visto no jornal de manhã. Nada. Um adesivo vermelho enorme colado em frente à vitrine-onça-gigante de Roberto Cavalli para H&M: ESGOTADO.

A coleção inteira acabou em menos de 5 horas. Em todas as lojas.

Lá dentro, o clima era como se nunca tivesse estado ali nem Roberto, nem sua festa. A não ser pelas camisetas dos vendedores e pelas caras dos caixas, ainda suados e assustados como se tivessem acabado de domar um tornado com a mão. Cada. Fora isso, silêncio. Jamais eu havia entrado naquela loja e tinha visto tanta organização. As araras todas cheias. Todos os tamanhos para quase todas as roupas. As poucas clientes que circulavam ali não falavam: andavam muito devagar, com olhar perdido, passando completamente desinteressadas entre o que mais havia nos dois andares de loja.

A festa acabou e a gente não pegou nem uma lembrancinha.

As lojas perto do centro e no bairro de Chueca, zona trendy de Madrid, ficaram às moscas durante toda a manhã, me contavam as vendedoras. Nas ruas só o que se via até a hora da siesta eram as sacolas da H&M passeando nas mãos de pessoas de todas as idades, sexo e nacionalidade. We are the party.

Logo quando eu soube há mais de um mês atrás que Roberto Cavalli ia lançar uma coleção para a H&M, eu me programei, gravei o dia. Eu já sabia. Aqui se aprende rápido que mesmo em lançamento de coleção normal em lojas low-price, as peças mais legais acabam em menos de uma semana, sem reposição. A Zara renova a coleção dela pelo menos a cada quinze dias, maior parte reutilizando as peças antigas e transformando em novas. A H&M tem novidade toda santa semana. E funciona. Ninguém pensa duas vezes em levar na hora o que tem nas mãos, porque sabe que pode ficar sem.

Tratando-se de coleções assinadas pior ainda. Da coleção da H&M desenhada pela Madonna, as peças chave como o cintão-obi de couro de cobra, desapareceram na mesma semana do lançamento. O mesmo aconteceu quando a Viktor&Rolf assinou a coleção. Mas em nenhum desses casos toda a coleção acabou em horas, muito pelo contrário. Até alguns meses depois se podia comprar algum vestidinho sozinho que sobrou dos desenhos de Madonna pela metade do preço. Talvez por isso, para evitar que coleções assinadas, tão perecíveis, estragassem nas prateleiras até a liquidação, dessa vez a H&M tenha decidido reduzir consideravelmente o estoque.

Mais uma vez, funcionou. A depressão pós-party de Roberto Cavalli seguramente serviu, antes de qualquer coisa, para dirigir as atenções do mundo da moda e da imprensa inteira á uma rede sueca de roupas low-cost, mas também para lembrar que essa festa é para poucos: há de ser muito exclusivo, disposto e insones os que podem usufruir dela. E os que estão de fora, todos, sempre vão querer entrar.

 

Esse texto está pubicado também em www.chic.com.br. Brigada, Djoh!

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